segunda-feira, outubro 30, 2006

A Festa da Democracia (tem birita até o amanhecer...)

Incríveis as manifestações populares do último domingo. Realmente o que pudemos acompanhar pela mídia e, de forma mais direta, pelas ruas de Porto Alegre, foi o ápice do que chamamos, não sei se de maneira engraçada ou desgraçada, de "festa da democracia".

Até entendo que a opção de se apoiar determinado candidato exista com base em argumentos de que os candidatos derrotados no pleito não eram grande coisa. Porém, daí a dizer que o Presidente eleito vai ressuscitar a força do povo e que a governadora eleita para o Rio Grande do Sul vai ser a peça que faltava para reestruturar a economia há uma imensa distância.

Mais uma vez, apresento minha revolta contra esse consenso imbecil que é consentido tácita e expressamente por imensa parcela da população. Como já referi em outra oportunidade, a voz do povo profere palavras que expressam interesses incutidos pela vontade de fazer parte de algum grupo social. Essa dependência de outros seres humanos é que leva o indivíduo a abdicar de si próprio para poder agir de acordo com uma identidade que lhe molde o caráter.

Não há motivos lógicos para crermos que a última eleição mudará nossas vidas para melhor. Não vejo motivos para sair às ruas e exaltar os nomes dos próximos chefes dos executivos estadual e federal como se fossem heróis dignos de tanto.

Reitero que a história é repetida há tempos, e nossos interesses são moldados pelas parcas opções que nos são dadas. Não há motivo para que um indivíduo, não vislumbrando candidato que represente seus ideais, optar por fazer parte de determinado grupo de eleitores, uma vez que estará anuindo com interesses alheios aos seus. Mas talvez haja quem pense que é uma oportunidade única tomar cerveja até a madrugada, com a desculpa esfarrapada de haver eleito não um candidato, mas um mito político capaz de superar até mesmo as diferenças entre os milhões de indivíduos. Embora, analisando melhor, seja fácil perceber que os próprios indivíduos fazem questão de omitir suas próprias diferenças.

Por fim, as manifestações populares só corroboram a existência de um grande vazio nas mentes que escolhem os rumos da humanidade. É para poder sair às ruas bebendo cerveja que vale a eleição de nosso candidato, e para sentirmo-nos, ainda que uma única vez, insertos em uma massa homogeneizada pela falta de conteúdo. Por enquanto, o que me resta é escrever neste este blog, aguardando por mais mentes pensantes.

sábado, outubro 28, 2006

É importante um regresso a idéia...

Um outro homem é possível. É exatamente isto que este blog quer provar. Não queremos somente concordar, e sim, entender o porquê da concordância. Queremos mostrar as contradições que cercam nossas vidas e tomam nossos dias, nos mantendo sufocados frente a uma realidade que nunca será plena em uma liberdade ilusória.

Este é um meio completamente livre, desprovido de interesses de controle ou manipulação e que aceita a discórdia por querer dialogar através de convicções próprias e provar que é possível ser livre na plenitude da expressão. Aqui podemos postar se quisermos, quando bem entendemos e sobre qualquer fato que consideramos relevantes, independente de um padrão pré-estabelecido.

Não precisamos segmentar ou restringir, a segmentação é algo natural. Só lê, opina ou escreve aquele que tem consciência individual, que pensa sobre sua própria realidade, que quer sair do marasmo de uma vida trivial e sem sentido e que tem orgulho de ser um humano racional. Não esperamos que Deus escreva por nós, aja por nós ou pense por nós. Acreditamos que o principal agente da mudança é o nosso verdadeiro eu, que o único homem que pode nos salvar da inércia é o homem que há dentro de nós mesmos, nas suas reais vontades e no seu padrão de valores.

Este blog não é apenas um blog qualquer. É um lugar que representa o meu ideal de vida. Um lugar em que existe liberdade. Um lugar em que um outro homem é possível.

quarta-feira, outubro 25, 2006

A Voz do Povo, a Voz de Deus e outras Alucinações da Democracia

Costuma-se dizer que o bem da sociedade está nos interesses do povo. Dessa forma, cria-se e consolida-se o dito "a voz do povo é a voz de Deus", muitíssimo bem recebido e aceito pela sociedade brasileira. Podemos, a partir do ditado, traduzir Deus como a valoração máxima de tudo o que é bom para a sociedade em geral.
Tratando da expressão da voz do povo, podemos verificar que, frente ao atual conceito de democracia, essa voz somente poderá proferir palavras através dos meios que já estabelecidos. O que quero dizer, portanto, é que a vontade do grupo denominado povo é, em apertada síntese, expressada través do voto obrigatório. Assim, cada voto tem a presunçosa função de representar um interesse individual de cada componente da sociedade.

Porém, a capacidade de traduzir interesses pessoais em votação restringe-se às opções de voto, ou seja, aos candidatos. Provavelmente em razão da forma através da qual a sociedade brasileira obteve o direito ao voto direto, o que é valorizado é o ato de votar em si, e não o conteúdo expressivo que deveria constar no mesmo.

Pior ainda que valorizar um ato sem efetuar juízo de valor é fazê-lo sem finalidade lógica. O que ocorre com a voz do povo é o seu direcionamento a certos ícones que não correspondem à construção dos interesses do indivíduo, de forma que o voto não é expressão do interesse, mas o interesse é expressão da opção de voto.

Assim, crendo nas parcas opções, o povo, que supostamente empresta boca à voz de Deus, imputa a si mesmo interesses que lhe concedem uma identidade. Essa identidade não é resultado natural da soma de valores do indivíduo, mas sim construída pelo grupo social do qual fará parte. E, dentro da variedade de grupos sociais, o interesse da maioria será instituído em detrimento da minoria.

A voz do povo, nesse caso, acaba por ser, de forma prática, a voz da maioria. A maioria, por sua vez, dentro de engrenagens sociais que funcionam sem qualquer fundamento racional, é resultado de ideologias massificadas. O termo Deus, pela importância que tem historicamente vinculada a si, é utilizado para conferir poder aos desejos que emanam do povo.

O povo que faz diferença, atualmente, é apenas uma massa sem potencial crítico, que se incumbe da única tarefa de escolher por qual idéia "lutar", e dessa forma proferir as palavras da voz de Deus.

É contra essa visão que me manifesto. Não há de prosperar uma sociedade que não age com finalidades objetivas, e cria suas premissas com o objetivo de viver sobre ícones voltados a disfarçar uma falta de valores conhecida mas não admitida expressamente.

sábado, outubro 21, 2006

Liberdade x Obrigação

A grande contradição mundana é que tudo é feito pra todos e quem constrói o mundo em torno de si próprio afirmando uma convicção não tem o mínimo valor. Os poucos que conseguem desprender-se do vazio que nos cerca são anulados por meras suposições e/ou costumes irracionais. Uma idéia própria só é aceita se for em prol do bem comum. Acho que todos esquecem que a felicidade vem dos próprios valores, de dentro pra fora, e não de acordo com o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre nossas vidas.

Esta liberdade que nos dá opções e nos impõe obrigações mais parece uma prisão. Para sermos livres temos que aceitar padrões pré-definidos e massificados, de preferência sem os processar antes de digerir. Lógico que nessa digestão acabamos com prisão de ventre pois não podemos concordar com algo tão trivial, com definições tão banais para um ser humano racional e coerente.

Uma democracia que sou obrigado a votar mesmo que não concorde com as condições impostas e as candidaturas sejam iguais. O mundo da indicação e não da competência. Uma vida para consumir desenfreadamente e não pensar. Enfim, o lugar em que eu preciso aceitar um padrão contraditório negando o valor individual e as minha próprias convicções é o que tenho que acatar?

Eu sei que sou completamente livre para optar entre as inúmeras possibilidades que a vida me oferece. Poderia buscar um mato para construir minha casinha, plantar meu feijão e arroz e desenvolver idéias até o final da vida, mas acho que ainda me falta coragem pra seguir em frente. Acreditei inocentemente na opinião alheia na hora de enlouquecer de vez, agora fico na inércia de uma vida sem sentido como a de qualquer outro parasita. No máximo posso me colocar como um inerte consciente e covarde, ao menos um ponto interessante.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Justificativas para se votar em quem odeiam


É incrível como parece absurdo ter opinião própria diferente da opinião (opinião???) da maioria. Do mesmo modo que, no primeiro turno, eu defendi o voto nulo, agora defendo o voto nos “corruptos”. Se vivemos na tal de democracia, por que não ter opiniões divergentes?

Qual era a crítica que se fazia a quem iria votar em branco ou anular seu voto? Chamavam eles de medrosos, de pouca personalidade e até os rotulavam de não possuidores de opinião própria. Que engraçado isso, queremos a democracia, queremos todos felizes, queremos respeitar o indivíduo, mas desde que ele pense que nem eu!

A opção em votar em branco ou nulo era tão democrática quanto a opção em votar em tantos candidatos que eram maravilhosos (e idênticos!!!) em seus discursos, grandes salvadores da nação, palavratórios que se repetem há anos e, talvez por isso, tenha perdido sentido.

Não é apologia a partido, a candidato ou algum tipo de imposição de idéia. Só quero refletir, nem que seja comigo mesmo, sobre as inúmeras e cotidianas falácias que escutamos, a areia movediça em que pisamos, o vácuo que respiramos e o vazio que comemos.

E agora, no segundo turno, será que eu não posso desejar mais 4 anos de corrupção, se assim é o argumento de quem pretende votar no Geraldo? Ou melhor, que tal eu desejar ser “mandado” por alguém que não tem curso superior? Ou pior, ser “chefiado” por um deficiente físico!!! Ah sim, eu não sou democrático e não acredito na democracia, vocês acreditam?

Pois bem, a convicção íntima hoje em dia poderia ser chamada de convicção propagandística, ou convicção que-merda-esse-horário-político-obrigatório. De modo imparcial, se forem analisados os argumentos dos dois pólos, é melhor mesmo votar em branco, pois a acusação é mútua, os dois lados são ruins, segundo o que o adversário propõe, ou, o que é mais benéfico ao nosso país, os dois candidatos são exemplos de competência, como eles próprios admitem.

Basta, para se votar, ter opinião própria, e, para isso, é mister que se tenha valores próprios, sustentáculos morais pessoais que não se deixam derrubar por qualquer vento em que as palavras têm o mesmo peso que plumas ao balanço do constante minuano.