A Festa da Democracia (tem birita até o amanhecer...)
Incríveis as manifestações populares do último domingo. Realmente o que pudemos acompanhar pela mídia e, de forma mais direta, pelas ruas de Porto Alegre, foi o ápice do que chamamos, não sei se de maneira engraçada ou desgraçada, de "festa da democracia".
Até entendo que a opção de se apoiar determinado candidato exista com base em argumentos de que os candidatos derrotados no pleito não eram grande coisa. Porém, daí a dizer que o Presidente eleito vai ressuscitar a força do povo e que a governadora eleita para o Rio Grande do Sul vai ser a peça que faltava para reestruturar a economia há uma imensa distância.
Mais uma vez, apresento minha revolta contra esse consenso imbecil que é consentido tácita e expressamente por imensa parcela da população. Como já referi em outra oportunidade, a voz do povo profere palavras que expressam interesses incutidos pela vontade de fazer parte de algum grupo social. Essa dependência de outros seres humanos é que leva o indivíduo a abdicar de si próprio para poder agir de acordo com uma identidade que lhe molde o caráter.
Não há motivos lógicos para crermos que a última eleição mudará nossas vidas para melhor. Não vejo motivos para sair às ruas e exaltar os nomes dos próximos chefes dos executivos estadual e federal como se fossem heróis dignos de tanto.
Reitero que a história é repetida há tempos, e nossos interesses são moldados pelas parcas opções que nos são dadas. Não há motivo para que um indivíduo, não vislumbrando candidato que represente seus ideais, optar por fazer parte de determinado grupo de eleitores, uma vez que estará anuindo com interesses alheios aos seus. Mas talvez haja quem pense que é uma oportunidade única tomar cerveja até a madrugada, com a desculpa esfarrapada de haver eleito não um candidato, mas um mito político capaz de superar até mesmo as diferenças entre os milhões de indivíduos. Embora, analisando melhor, seja fácil perceber que os próprios indivíduos fazem questão de omitir suas próprias diferenças.
Por fim, as manifestações populares só corroboram a existência de um grande vazio nas mentes que escolhem os rumos da humanidade. É para poder sair às ruas bebendo cerveja que vale a eleição de nosso candidato, e para sentirmo-nos, ainda que uma única vez, insertos em uma massa homogeneizada pela falta de conteúdo. Por enquanto, o que me resta é escrever neste este blog, aguardando por mais mentes pensantes.
